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Histórico de reportagens sobre pedofilia na região Norte endossam relato de Damares
12/10/2022 13:23 em Novidades

A denúncia feita pela pastora Damares Alves a respeito dos crimes de pedofilia e tráfico humano na ilha do Marajó, no Pará, suscitou a ira de adversários políticos ligados a partidos de esquerda e acusações de que ela teria prevaricado ao não tomar providências.Apesar de toda a repercussão em tom de incredulidade contra o relato feito pela pastora, há um histórico de reportagens reproduzidas pela mídia, incluindo veículos de imprensa tradicionais e até livros, apurando os casos recorrentes de exploração sexual infantil não apenas no Pará, mas em toda a região amazônica.

Estima-se que 9 milhões de crianças vivam na chamada Amazônia Legal, região formada por Acre, Amapá, Pará, Amazonas, Rondônia, Roraima e parte dos Estados de Maranhão, Tocantins e Mato Grosso.

O estado do Pará tem riquezas naturais, e parte de sua economia é baseada na exportação de minérios, energia, sementes e frutas. Por outro lado, as famílias mais pobres vivem em um cenário de crimes de tráfico de drogas e garimpo ilegal, situação que se repete nos demais estados da Região Norte do país.O sistema de exploração desse tipo de crime contra crianças na região amazônica é antigo e foi abordado pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr. no livro Poderosos Pedófilos, que cobre um período de 23 anos, entre 1997 e 2020, e aponta que parte das dificuldades em combater essa prática vem da crença de que os abusos são parte da cultura local.

Um dos casos relatados por Ribeiro Jr. envolvia políticos locais, como o ex-vereador Aelson Dantas da Silva, que foi condenado a 64 anos de prisão por estupro de vulnerável e exploração sexual de meninas indígenas em São Gabriel da Cachoeira (AM).

Nesse livro, o jornalista descobriu que funcionários terceirizados da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), que referiam-se à rede de exploração sexual de crianças como “disneylândias do sexo”.

“Confesso que estou chocado e até chorei ao ler a reportagem”, afirmou José Gregori, secretário nacional dos Direitos Humanos à época, no governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), sobre uma matéria escrita por Ribeiro Jr. para o jornal O Globo.

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